quinta-feira, 29 de setembro de 2016


 Foto Anindito Mukherjee


O barulho de existir:
um cão
dentro de mim.

Atravesso
como a um pátio
o barulho de existir.


Carlos Nejar 

 

terça-feira, 13 de setembro de 2016


 Foto Athit Perawongmetha


Vai
Recupera a paz perdida e as ilusões
Não espera vir a vida às tuas mãos
Faz em fera a flor ferida 

E vai lutar

Taiguara


domingo, 11 de setembro de 2016

Para Estelinha!


Ilustração Troche


Ela é a ponta, ela é o centro, ela é o fogo
Ela é o preto e o branco.
Ela é o silêncio.

Ela é a minha estrela

A mais distante 
e a mais presente!






 

Foto Hannibal Hanschke


Todos os escritores do mundo voltaram a sentir uma comichão muito fina, parecida com as patas de mil piolhos a cruzarem-lhes a cabeça. 
Mas não eram piolhos, já toda a gente sabia disso.
Era a comichão de personagens novas a quererem
sair para as histórias que ainda não estavam escritas.

Era uma comichão boa.

Por isso, continuaram a festa. Muito felizes, a coçarem 
as suas cabeças limpas e carecas, à espera de todos 
os livros e de todas as histórias que ainda vão escrever.

José Luís Peixoto in Todos os escritores do mundo têm a cabeça cheia de piolhos.

 




Foto Simone Gallego



primavera
até a cadeira
olha pela janela

A gaveta da alegria
já está cheia
de ficar vazia

travesseiro novo
primeiras confissões
a história do amigo

 
Adélia Prado
 

ah meu país....




Foto Simone Gallego


O meu país sabe às amoras bravas no verão.
Ninguém ignora que não é grande,
nem inteligente, nem elegante o meu país,
mas tem esta voz doce
de quem acorda cedo para cantar nas silvas.
Raramente falei do meu país, talvez
nem goste dele, mas quando um amigo
me traz amoras bravas
os seus muros parecem-me brancos,
reparo que também no meu país o céu é azul.

Engénio de Andrade


 

sexta-feira, 9 de setembro de 2016




As estações e a intempérie castigam os tijolos, desgastam-nos. Ainda assim, há torres que duram séculos, esquecemos aqueles que as construíram. Também as palavras, apesar da erosão que as atinge, podem durar séculos. Temos a obrigação de acreditar que são eternas. Tudo o que está vivo tem a oportunidade de ser imortal.

José Luís Peixoto  



Fotos Simone Gallego - Musa (Museu da Amazônia)



By Liniers

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Fragmentos de vida



 Foto Aino Kirillova

Fisicamente, habitamos um espaço, mas, sentimentalmente, somos habitados por uma memória.

Memória que é a de um espaço e de um tempo, memória no interior da qual vivemos, como uma ilha entre dois mares: um que dizemos passado, outro que dizemos futuro. Podemos navegar no mar do passado próximo graças à memória pessoal que conservou a lembrança das suas rotas, mas para navegar no mar do passado remoto teremos de usar as memórias que o tempo acumulou, as memórias de um espaço continuamente transformado, tão fugidio como o próprio tempo.

José Saramago in Palavras para uma cidade

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Tem dias que tudo está em paz.....



Foto Acervo Afetivo


Reencontros que deixam a gente em estado de poesia!

(quisera eu ter guardado aquele cheiro num vidrinho....)