terça-feira, 1 de setembro de 2009

Foto Carla Salgueiro
É este meu poema ou é de outra?
Sou eu esta mulher que anda comigo
E renova a minha fala e ao meu ouvido
Se não fala de amor, logo se cala?

Sou eu que a mim mesma me persigo
Ou é a mulher e a rosa escondidas
(Para que seja eterno o meu castigo)

Lançam vozes na noite tão ouvidas?
Não sei. De quase tudo não sei nada.
O anjo que impulsiona o meu poema
Não sabe da minha vida descuidada.


A mulher não sou eu. E perturbada
A rosa em seu destino, eu a persigo
Em direção aos remos que inventei.

Hilda Hilst in Cascos & Carícias & Outras Crônicas.

(nada como ler direto da fonte! agora, quase dois meses depois, tá corrigido!)

Nenhum comentário:

Postar um comentário