Uma brisa fresca transportava de longe fragmentos de vozes, risos, um som de água correndo, o frêmito ansioso das cigarras. Trazia também o cheiro verde do mato, um perfume adocicado a fruta madura, e com isso a memória límpida de outros tempos – eu, correndo à frente da chuva, saltando os largos muros de adobe dos quintais, roubando mangas das mangueiras altas, laranjas dos laranjais. Meninos dançando nos charcos, jogando futebol com uma bola de trapos, lançando ao céu papagaios de todas as cores. Abanei a cabeça para afastar aquelas imagens. Eram, de alguma forma, a minha eternidade.
José Eduardo Agualusa in Um estranho em Goa

Toda vez que a tristeza me assola o menino me dá a mão!
ResponderExcluirbeijo querida
ju