Trabalhas tua riqueza, e eu trabalho o sangue.
Dirás que sangue é o não teres teu ouro
E o poeta te diz: compra o teu tempo.
Contempla o teu viver que corre, escuta o teu ouro de dentro.
É outro o amarelo que te falo.
Enquanto faço o verso, tu que não me lês
Sorris, se do meu verso ardente alguém te fala.
O ser poeta te sabe a ornamento, desconversas:
"Meu precioso tempo não pode ser perdido com os poetas".
Irmão do meu momento: quando eu morrer
Uma coisa infinita também morre. É difícil dizê-lo:
MORRE O AMOR DE UM POETA.
E isso é tanto, que o teu ouro não compra,
E tão raro, que o mínimo pedaço, de tão vasto
Não cabe no meu canto.
Hilda Hilst
Ps: eu NUNCA imaginei que pudesse postar neste blog este poema da Hilda.
Tava guardado, empoeirado e repleto de teias de aranhas.....
Tinha amor em cima dele....
tinha tempo
tinha dedicação
tinha sonho
tinha entrega
tinha perdão
tinha maturidade
tinha generosidade
mas agora a chuva lavou tudo....
e só deixou o ouro reluzente.....
para uns: lindo ouro!
.... pra mim ainda é a poesia que salva!

Guarde nos olhos
ResponderExcluirA água mais pura da fonte
Beba esse horizonte
Toque nessas manhãs
Guarde nos olhos
A gota de orvalho chorado
Guarde o cheiro do cravo
Do jasmim, do hortelã
Guarde o riso
Como nunca se fez
Corra os campos
Pela última vez
Guarde nos olhos
A chuva que faz as enchentes
Vai um pouco com a gente
Rumo a capital
Vai dentro da gente
Lindo! Não conhecia e tbem guardarei, como tu, para os dias em que a poesia é a única esperança. Ela salva, também trago esta certeza em minhas células.
ResponderExcluirBjs