terça-feira, 27 de outubro de 2009

Hilda Hilst diz (sobre a sequência de poemas Alcóolicas) "quando os escrevi não bebi uma só gota. Algum gaiato dirá: bebeu milhares. Não. E espero que alguns "raros" tenham compreendido que é de uma outra embriaguês, de um fervor descomedido, o roteiro voluptuoso destes versos. É triste explicar um poema. É inútil também. Um poema não se explica. É como um soco. E, se for perfeito, te alimenta para toda a vida. Um soco certamente te acorda e, se for em cheio, faz cair tua máscara, essa frívola, repugnante, empolada máscara que tentamos manter para atrair ou assustar. Se pelo menos um amante da poesia foi atingido e levantou de cara limpa depois de ler minhas esbraseadas evidências líricas, escreva, apenas isso: fui atingido. E aí sim vou beber, porque há de ser festa aquilo que na Terra me pareceu exílio: o ofício de poeta".

(Cascos & Carícias & Outras Crônicas)

Então, o blog segue! Talvez um pouco mais triste, porque eu estou muito triste...
Segue acalentando a esperança de que toque os "raros"...
mas, principalmente, como tentantiva de extravasar o monstro irriquieto e estranho que mora dentro de mim!

Nenhum comentário:

Postar um comentário